4reizinhos

As despedidas

Todos as manhãs vou deixar os gémeos na escola.


- Adeus meninos tenham um bom dia.


- Adeus mãe. - respondem enquanto sobem a escada.


Durante a subida vão espreitando para trás a verificar se continuo ali. Entram na escola e seguem para a grade.


- Adeus mãe! - grita um


- Tem um bom dia. - diz o outro


Mandam beijinho e fazem gestos de abraços. Os pais em redor riem-se da meiguice deles. 


- Mãe adoro-te!


- Também te adoro. - respondo enquanto me dirijo ao carro


- Mãe eu adoro-te muito!


- Adoro-te filho! - respondo enquanto entro no carro.


Lá dentro tenho que abrir a janela porque eles continuam a gritar adeus, adoro-te e a mandar beijinhos. 


Coloco o carro a trabalhar e vou embora, pela janela aberta aceno adeus até os perder de vista. 


Antes de ontem o Salvador perguntou. 


- Quando tiver sete anos posso deixar de fazer tantos gestos de despedida.


- Meu filho não precisas ter sete anos. Se não quiseres dizer adeus na rede da escola não tens que o fazer. Eu gosto de ti e nada vai mudar isso.


- Acho que amanhã não vou ficar ali a dizer adeus.


- Então não fiques meu amor.


O dia seguinte veio e lá ficou ele na grade, com o irmão, a bradar despedidas até eu desaparecer.


É mais fácil dizer que fazer. 

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