Se me perguntassem há uns anos eu jurava que nunca ia ser uma mãe galinha. Não ia ser daquelas mães que não largam os filhos, que se preocupam com tudo e mais alguma coisa. Não, eu era e sou um espírito muito livre, sempre pensei que seria capaz de confiar no destino quando toca aos meus filhos.
Jurei que não seria daquelas mães que vão levar os miúdos à sala e têm sempre mil recados a dar. Daquelas mães cujos filhos entram todos contentes na sala e elas ficam à porta com um olhar de cachorrinho à espera de um ultimo aceno ou beijinho mandado pelo ar. Eu dizia à boca cheia que não ia ser daquelas mães que fica a ver os miúdos entrarem no autocarro, quando vão para passeios. Que procuram os seus filhos no meios dos outros todos e depois vão a correr ao lado do autocarro a acenar até este ganhar uma velocidade que não conseguem acompanhar.
Eu não ia ser daquelas que fica com o coração nas mãos cada vez que vão a um passeio. Que se preocupa o dia todo se eles estão bem e que só descansa quando os têm novamente debaixo das suas asas.
Sim eu disse e pensei muita coisa mas a verdade é que não podia estar mais errada.
A verdade é que eu transformei-me numa destas mães. Tenho sempre recados a dar à educadora, fico à espera que entrem no autocarro, aceno-lhes freneticamente enquanto se afastam, pergunto-me o dia todo se estarão bem. Compro-lhes demasiadas coisas que no fundo nem precisam, tenho dificuldade em dizer-lhes não. No fundo tornei-me em tudo o que não me queria tornar mas agora que aqui estou percebo que não é assim tão mau.
Percebo que o amor modifica-nos. O medo de perder aqueles que amamos aterroriza-nos. Mas isso apenas significa que somos capazes de amar e temos quem amar. Já não me importo de ser uma mãe galinha apenas peço para conseguir ter o discernimento para perceber onde devo parar, porque quero que cresçam com autonomia.